Guia prático
O que medir depois do evento: o relatório de credenciamento e como usá-lo na próxima edição
Depois do evento, o relatório de credenciamento tem que responder cinco perguntas: quantos dos inscritos vieram, quem não veio, a que horas chegou a maioria, quanto tempo cada pessoa levou para entrar e quantas recusas houve e por quê. Cada resposta vira uma decisão concreta para a próxima edição: quanta gente convidar, quantas portas abrir, em que horário reforçar a equipe e o que corrigir na inscrição. Se você é uma agência do Brasil que produziu um evento na Argentina, esse relatório é também o que você leva ao cliente para vender a edição seguinte.
Por que o relatório da porta vale mais do que parece
O credenciamento é o único lugar do evento em que cada pessoa deixa uma marca com hora e lugar. É o dado mais firme que você vai ter: não é uma pesquisa de satisfação nem uma estimativa a olho, é um registro de quem entrou, por onde e quando.
O órgão de saúde e segurança do Reino Unido (HSE), no seu guia sobre monitoramento de multidões em eventos, explica que os sistemas de contagem nas entradas e saídas ajudam a estimar quanta gente há dentro do local, e que esse monitoramento também serve para avaliar se as medidas tomadas funcionaram. Na página sobre controles de entrada, recomenda prever como monitorar e estimar quantas pessoas estão chegando e, para públicos grandes, incentivar chegadas escalonadas. Para isso, você precisa saber como o público chegou da última vez.
No PASE, o relatório ao vivo mostra as entradas por tipo de participante, por ponto de controle (porta) e por hora durante o evento, e no fim há um relatório de fechamento para mostrar ao cliente. Um detalhe para quem vem de fora: os relatórios saem em espanhol. O que segue vale para qualquer sistema que te entregue esses dados.
1. Público real contra inscritos, por tipo
O número de inscritos é uma promessa; o de entradas é o que aconteceu. A primeira tabela do relatório tem que colocar os dois lado a lado, e não só no total: separado por tipo de participante (público geral, VIP, imprensa, equipe, expositores).
O total esconde as diferenças. Pode ser que o público geral tenha respondido como você esperava e os convidados VIP não, ou o contrário. Se na inscrição cada tipo entrou pelo seu próprio link, essa tabela sai sozinha. No PASE é assim: cada tipo de participante tem o seu link e a pessoa fica no tipo do link, não escolhe. Se todos se inscreveram pelo mesmo formulário e escolheram a categoria, desconfie da coluna de tipo.
O que decidir com isso: quanta gente convidar ou inscrever para chegar ao público que você procura, e se vale reforçar a confirmação de algum grupo em particular.
2. No-show: quem se inscreveu e não veio
O no-show é a diferença entre os dois números anteriores, dividida pelos inscritos. Meça por tipo e, se o evento teve mais de uma data, por jornada. Não use uma porcentagem de outro evento nem uma que você leu por aí: a sua depende do público, do preço (ou de ser gratuito), do dia e até do clima. No inverno de Buenos Aires, uma noite de chuva muda a presença mais do que qualquer campanha.
Dois cruzamentos que costumam explicar muito:
- Data de inscrição. Compare o no-show de quem se inscreveu com muita antecedência com o de quem se inscreveu nos últimos dias.
- E-mail com o QR code. Se houve gente que nunca recebeu o QR code (por um e-mail digitado errado, por exemplo), parte do no-show não é desinteresse, é um problema de envio. O PASE avisa durante a inscrição quando a pessoa digita gmial.com ou hotmail.con, e a página "Recuperar meu ingresso" reenvia o QR code para quem perdeu o e-mail.
O que decidir com isso: se vale aceitar mais inscrições do que lugares num evento gratuito, quando enviar o lembrete e a quem, e quanto catering, material ou cadeiras preparar. Se o evento tem data de início cadastrada, o PASE reenvia o QR code automaticamente entre 24 e 48 horas antes. Mais ideias na nota sobre como reduzir o no-show num evento gratuito.
3. Horário de pico: quanta gente chegou junta
A curva de entradas por faixa horária é o gráfico mais útil do relatório. Ela mostra quando o público se acumulou na porta e quanto tempo durou esse momento. O total de participantes diz o tamanho do evento; o horário de pico diz o tamanho da porta que você precisa.
Olhe por ponto de controle, não só no geral. Se você teve duas entradas e uma recebeu quase todo o pico, o problema não foi de capacidade total, foi de distribuição: sinalização, proximidade do transporte ou do estacionamento, ou uma porta que as pessoas não viram.
O que decidir com isso: em que horário reforçar os operadores, se vale abrir mais uma porta só durante o pico e se convém escalonar a chegada (com horário no convite, com uma atividade de boas-vindas ou por tipo de participante). Em quantos pontos de acesso e operadores eu preciso está a conta passo a passo.
4. Tempo de entrada: quanto cada pessoa demorou
O tempo de entrada responde se a porta funcionou. O que importa não é só a média, é como a porta se comportou durante o pico: uma entrada que anda rápido às 19h e trava às 20h tem um problema que a média do dia não mostra. Se você quer esse dado com precisão, cronometre algumas pessoas na fila no horário de pico e anote junto com o relatório.
Quando o tempo sobe, procure a causa no próprio evento:
- Gente sem o QR code à mão, procurando o e-mail na fila. Resolve-se com o lembrete prévio e com a opção de recuperar o ingresso antes de chegar.
- Inscrições manuais de quem não tinha se inscrito. No PASE a inscrição manual é feita pelo painel, e na porta o operador busca por nome. Se foram muitos casos, convém um ponto separado para isso (veja inscrição na porta sem cadastro prévio).
- Impressão de credenciais na hora, que soma tempo por pessoa. Avalie se é preciso imprimir para todos ou só para alguns tipos.
- Problemas de conexão num ponto de acesso. O PASE precisa de internet no ponto de controle; se cai, mostra "sem conexão" e deixa tentar de novo. Confira se as quedas coincidem com os momentos lentos (e leia o que fazer se a internet cai na entrada).
5. Recusas: duplicados e não autorizados
Cada leitura que não terminou numa entrada válida é informação. No PASE elas ficam registradas como DUPLICADO (o QR code já foi usado) ou NÃO AUTORIZADO (esse tipo de participante não tem permissão naquele ponto), com hora e ponto de controle.
- Muitos duplicados na porta principal costumam indicar QR codes reenviados ou capturas de tela compartilhadas. Também pode ser a mesma pessoa escaneada duas vezes por não ter visto a tela: veja se os duplicados aparecem segundos depois da entrada válida ou muito mais tarde. Se dois leitores leem o mesmo QR code ao mesmo tempo em portas diferentes, um entra e o outro sai DUPLICADO.
- Muitos não autorizados num ponto de controle costumam indicar que a sinalização leva as pessoas ao lugar errado, ou que um grupo ficou com uma categoria que não era a dele.
O que decidir com isso: se muda o texto do e-mail ("este QR code é pessoal, não reenvie"), onde colocar placas e o que revisar nas permissões de cada tipo antes da próxima edição.
Como transformar o relatório num plano para a próxima
O relatório não serve se fica numa pasta. Faça uma reunião curta com a equipe de porta na mesma semana, enquanto todos lembram do que aconteceu, e saia com uma lista de decisões, não de impressões. Um formato que funciona:
- O que medimos: os cinco números acima, por tipo e por ponto de controle.
- O que aconteceu: o que explica cada número, com o que os operadores viram.
- O que mudamos: uma ação por problema, com responsável.
Guarde o relatório de cada edição no mesmo formato. Com duas ou três edições você já consegue estimar o no-show e o horário de pico do seu próprio público, o que é muito melhor do que qualquer média geral. Para o cliente, mostre números agregados, sem listas com dados pessoais; a nota sobre o relatório pós-evento para o cliente tem o modelo, e a de público real do evento explica como contar bem.
O total diz quanta gente veio. O horário de pico, o no-show e as recusas dizem o que fazer diferente na próxima vez.
Perguntas frequentes
Como calculo o no-show do meu evento?
Subtraia os que entraram dos que se inscreveram e divida pelos inscritos. Faça isso por tipo de participante, não só no total: o no-show de convidados VIP, de imprensa e de público geral costuma ser muito diferente, e cada um pede uma ação diferente para a próxima edição.
O que é mais útil, o horário de pico ou o total de participantes?
Para planejar a porta, o horário de pico. O total diz quanta gente veio; o horário de pico diz quanta chegou junta, e é isso que define quantos pontos de acesso e operadores você precisa. Um evento pequeno com todo mundo chegando ao mesmo tempo pode precisar de mais porta do que um grande com chegada distribuída.
Para que olhar as recusas se o evento já acabou?
Porque quase sempre apontam um problema que se repete. Muitos duplicados costumam indicar QR codes reenviados ou capturas compartilhadas; muitos não autorizados num ponto de controle costumam indicar sinalização ruim ou uma categoria mal atribuída. Ver em que porta e em que horário se acumularam diz o que corrigir.
O que eu mostro ao cliente no relatório de fechamento?
Público real contra inscritos por tipo, a curva de entradas por hora, as recusas com a sua explicação e três ou quatro decisões concretas para a próxima edição. Números agregados, sem listas com dados pessoais dos participantes. O relatório do PASE sai em espanhol.
Os relatórios do PASE saem em português?
Não. O relatório ao vivo e o relatório de fechamento saem em espanhol. Mostram as entradas por tipo de participante, por ponto de controle (porta) e por hora, com números que se leem sem tradução.
Saia do evento com o relatório pronto
Um QR code único por participante, válido, duplicado ou não autorizado na hora, antidupla entrada entre portas e relatório ao vivo por ponto de acesso e por hora, com inscrição em espanhol e em inglês. Orçamento por evento: Base a partir de USD 600, Pro a partir de USD 1.500, Enterprise sob consulta.
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