Guia prático
Lotação e capacidade habilitada na Argentina: o que a entrada do evento controla e o que não controla
A lotação máxima de um evento não é decidida pelo organizador nem pelo sistema de credenciamento: ela vem da habilitação do local ou da permissão do evento. O que a entrada controla é quantas pessoas entraram, uma por uma e sem duplicados. O que ela não controla, se ninguém registrar as saídas, é quantas pessoas estão dentro agora. Para respeitar a capacidade você precisa das duas coisas: a contagem de entradas e um controle separado das saídas ou da ocupação. Se você é uma agência ou produtora do Brasil fazendo um evento na Argentina, este é o número que precisa ter por escrito antes de desenhar a entrada.
Três palavras usadas como se fossem a mesma
- Capacidade habilitada ou autorizada: o máximo de pessoas que o local pode ter ao mesmo tempo, segundo a habilitação ou a permissão do evento. É um número legal, não comercial.
- Ocupação (o que na Argentina se chama aforo na prática): quantas pessoas estão dentro num dado momento, e se isso está abaixo do máximo.
- Público total: quantas pessoas diferentes entraram ao longo de todo o evento. Num evento de várias horas, com gente que chega e vai embora, pode ficar bem acima da capacidade sem que a ocupação máxima seja ultrapassada.
Confundir esses números dá problema para os dois lados: fechar a entrada quando o público total chega ao número da permissão (e deixar de fora gente que poderia entrar porque outros já tinham saído), ou ficar tranquilo porque "entraram menos que a capacidade" quando na verdade ninguém sabe quantos estão no salão.
Quem define o número que não se pode passar
Depende da jurisdição e do tipo de local, e a norma local sempre prevalece. Como exemplo, na Cidade de Buenos Aires, a página oficial da permissão de evento massivo define como evento massivo toda reunião artística ou festiva com mais de mil participantes. A permissão é concedida pela Agencia Gubernamental de Control, por meio da sua Dirección General de Habilitaciones y Permisos, e fixa uma capacidade máxima que deve ser respeitada durante o evento. Entre os requisitos estão uma planta gráfica do local com a capacidade por setor e as saídas, e um controle de acesso eletrônico aprovado e certificado para garantir que a capacidade autorizada não seja ultrapassada.
Duas conclusões práticas. Primeira: a capacidade do evento sai desse documento, e é a primeira coisa a ter antes de desenhar a entrada. Segunda: se o seu evento entra nesse regime, o controle de acesso que a norma exige tem requisitos próprios de aprovação, e você precisa confirmá-los com a autoridade antes de escolher como contar.
O pessoal da porta também tem uma regra escrita. A Lei 26.370, que regula o pessoal de admissão e segurança em espetáculos e locais de entretenimento, exige condições iguais de admissão para todos "desde que a capacidade do local permita" (artigo 9) e permite negar a entrada quando o local está no seu máximo autorizado (artigo 11). Ou seja: local lotado é um motivo legítimo para não deixar entrar, desde que valha igual para todos e esteja informado à vista.
O que um sistema de credenciamento controla
Uma entrada com um QR code por pessoa resolve a metade "entradas" do problema, e resolve bem:
- Quantos entraram, sem contar ninguém duas vezes. No PASE cada participante tem um QR code único, e a marcação da entrada é atômica: se dois leitores leem o mesmo código ao mesmo tempo, um entra e o outro mostra DUPLICADO.
- Quando e por onde entraram. O relatório ao vivo mostra as entradas por tipo, setor, porta e hora, com várias portas sincronizadas.
- Um aviso antes do limite. Se você carregar uma capacidade para o evento, o PASE avisa por e-mail quando as entradas chegam a 80 % e a 100 % desse número. O aviso de 80 % é o útil, porque ainda dá tempo de frear a divulgação, abrir outro setor ou falar com a segurança.
- Espalhar a chegada. Com horários com vagas limitadas, o participante escolhe dia e horário, vê "restam N" ou "Esgotado", e um horário cheio para de aceitar inscrições sozinho. Isso não mede a ocupação, mas evita que todo mundo chegue ao mesmo tempo.
O que ele não controla, e como cobrir
- Quantos estão dentro. Se ninguém registra as saídas, o sistema sabe quantos entraram, não quantos saíram. O relatório de fechamento do PASE diz isso no rodapé: ele conta as entradas registradas na porta, não quantas pessoas havia dentro num dado momento. Para ter a ocupação em tempo real você precisa contar as saídas, por exemplo com um contador manual em cada saída, e subtrair.
- O que não passa pelo leitor. Equipe, fornecedores, artistas, gente que entra pela doca de carga. Também ocupam espaço. Ou são credenciados e passam por um ponto de controle, ou entram na conta à mão.
- A capacidade de cada setor. Um total certo não garante que a área VIP ou a sala pequena não estejam transbordando. Se um setor tem capacidade própria, precisa do seu próprio ponto de controle e da sua própria contagem.
- A habilitação em si. Nenhum sistema de entrada habilita um local nem substitui o plano de evacuação, as saídas ou a fiscalização. Ele conta pessoas, nada mais.
Como montar na prática
- Peça o número da habilitação ou da permissão por escrito, antes de abrir as inscrições.
- Desconte o que não vai passar pelo leitor (equipe, fornecedores, artistas) e carregue esse resultado como capacidade do evento, não o número bruto.
- Combine com a segurança quem acompanha o aviso de 80 % e o que faz quando ele chega: parar a entrada, esperar que saia gente ou abrir outro espaço.
- Se o evento dura muitas horas e há rotação de público, coloque um contador em cada saída e alguém que faça a subtração.
- Deixe as condições de admissão visíveis em cada entrada, incluindo que com o local cheio ninguém entra até que alguém saia.
Para planejar filas e postos, veja quantos pontos de acesso e operadores o seu evento precisa; para o número de público que você entrega no final, o relatório pós-evento para o cliente. Lembre que os relatórios do PASE saem só em espanhol, e que a página de inscrição e o e-mail existem em espanhol e em inglês (com ?lang=en), não em português.
Quem entrou é um número da porta. Quem está dentro agora é a porta mais as saídas. A capacidade é definida pela permissão.
Perguntas frequentes
Quem define a capacidade máxima do meu evento?
A habilitação do local ou a permissão do evento, não o organizador nem o sistema de credenciamento. Na Cidade de Buenos Aires, para um evento massivo, a permissão é concedida pela Agencia Gubernamental de Control e fixa uma capacidade máxima que deve ser respeitada durante todo o evento.
Um sistema de credenciamento sabe quantas pessoas estão dentro?
Só se as saídas também forem controladas. Se a porta registra as entradas e ninguém marca quando as pessoas saem, o sistema sabe quantas entraram, não quantas continuam dentro. Para ter a ocupação em tempo real é preciso contar as saídas, por exemplo com um contador manual em cada saída.
Que capacidade eu carrego no PASE?
Um número abaixo da capacidade habilitada, que deixe margem para o que não passa pelo leitor: equipe, fornecedores, artistas e quem entra por outro acesso. Com esse número carregado, o PASE avisa quando as entradas chegam a 80 % e a 100 %.
Os horários com vagas limitadas controlam a ocupação?
Não. As vagas por horário limitam quantas pessoas se inscrevem em cada horário e ajudam a espalhar a chegada, mas não dizem quantas continuam dentro quando começa o horário seguinte. Organizam a entrada; não medem a ocupação.
Controle as entradas do seu evento com o PASE
Um QR code único por participante, válido, duplicado ou não autorizado na hora, antidupla entrada entre portas e relatório ao vivo por ponto de acesso e por hora, com inscrição em espanhol e em inglês. Orçamento por evento: Base a partir de USD 600, Pro a partir de USD 1.500, Enterprise sob consulta.
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