Guia
Como credenciar a equipe, os fornecedores locais e os artistas num evento na Argentina
Quando você produz um evento na Argentina a partir do Brasil, quem trabalha nele vem de dois mundos: a equipe e os artistas que você leva, e os fornecedores locais que contrata lá. Os dois circulam por mais lugares, e em mais horários, do que qualquer convidado. O método é dar a cada grupo o seu próprio tipo de credencial, inscrever cada tipo pelo seu próprio link para que ninguém escolha a própria categoria, liberar cada tipo só nas áreas onde trabalha e deixar por escrito quem entra na montagem, no show e na desmontagem. Este guia adapta esse método a uma produção estrangeira que trabalha com fornecedores argentinos.
Por que a credencial de trabalho é o ponto fraco
O público é conferido uma vez, numa porta. Quem trabalha, não: chega horas antes, sai para buscar equipamento, cruza o backstage, carrega e descarrega e volta no dia seguinte, muitas vezes por portas de serviço onde o controle é mais frouxo. Se os convidados entram com QR code e a equipe entra dizendo "sou do som", o buraco está aí. Numa produção internacional o risco cresce, porque a sua equipe de porta pode não conhecer os fornecedores locais e o pessoal de porta local não conhece a sua equipe.
O Public Venue Credentialing Guide, da agência de segurança cibernética e de infraestrutura dos Estados Unidos (CISA), foi escrito exatamente para isso. A maior parte dele trata de funcionários, prestadores de serviço, entregas, imprensa e talentos, e não de quem tem ingresso. O que segue pega as recomendações dele e as aplica a um evento na Argentina.
Passo 1: um tipo por grupo de trabalho, separado por origem
Comece pela lista de quem trabalha no evento. Numa produção estrangeira, costuma ficar assim:
- A sua equipe de turnê: gerentes de produção, diretores de palco, técnicos que viajam com você.
- Fornecedores técnicos locais: som, luz, telões, estrutura, geradores contratados na Argentina.
- Fornecedores de serviços locais: catering, mobiliário, limpeza, segurança, atendimento médico.
- Artistas e a equipe deles: artistas, palestrantes, apresentadores, empresários, assistentes.
- Equipe local do evento: operadores de porta, recepcionistas, runners.
A CISA recomenda que as solicitações de credencial "be divided into categories or groups based on functions" (sejam divididas em categorias ou grupos conforme a função) e que as credenciais temporárias de prestadores de serviço indiquem "the area(s) of access" (a área ou as áreas de acesso). Você não precisa de um tipo por empresa: precisa de um tipo por conjunto diferente de permissões. Se catering e limpeza vão aos mesmos lugares, podem compartilhar um tipo. Manter a sua equipe separada dos fornecedores locais ajuda de qualquer forma, porque eles costumam responder a pessoas diferentes.
Passo 2: um link de inscrição por tipo, entregue pelo responsável
O erro mais comum é mandar todo mundo para o mesmo formulário e deixar cada pessoa escolher "equipe" ou "fornecedor". Qualquer um com o link público pode marcar uma categoria que não é a sua.
No PASE cada tipo de participante tem o seu próprio link de inscrição, e quem entra pelo link da equipe fica registrado como equipe sem escolher. O link não é publicado: vai para o chefe de cada time (o seu gerente de produção, o chefe de equipe da empresa de som local, o supervisor do catering, o empresário do artista), que repassa para o seu pessoal. Cada pessoa recebe por e-mail o seu QR code pessoal e um crachá em PDF. A inscrição e o e-mail do QR funcionam em espanhol e em inglês: seguem o idioma do navegador, e acrescentar ?lang=en ao link força o inglês. Não existe versão em português, então para a sua equipe brasileira mande o link em inglês ou em espanhol, conforme o que ela lê melhor.
A CISA aponta na mesma direção. Recomenda, "when possible" (quando possível), um "online credential registration system" (sistema de inscrição de credenciais online), um ponto de contato de credenciamento responsável por "granting or denying all requests" (aprovar ou recusar todas as solicitações) e "written access criteria for each controlled area" (critérios de acesso por escrito para cada área controlada). Escreva esses critérios antes de mandar o primeiro link, em espanhol e em português se os seus chefes de time precisarem.
Peça só os dados de que precisa para deixar as pessoas entrarem: nome, documento, empresa e função. Passaporte ou documento de identidade para a sua equipe, DNI para os fornecedores locais. A Lei 25.326 da Argentina exige que os dados pessoais sejam "ciertos, adecuados, pertinentes y no excesivos" (exatos, adequados, pertinentes e não excessivos) em relação à finalidade para a qual foram coletados, e isso vale também para a sua própria equipe.
Passo 3: permissões por área, não "acesso total"
A tentação é dar acesso a tudo para quem trabalha, para evitar problemas. O resultado é que a credencial de equipe vira a mais cobiçada do evento. Monte uma tabela com os tipos nas linhas e as áreas nas colunas (porta de serviço, palco, backstage, camarins, cozinha, VIP, sala técnica) e marque só onde cada tipo trabalha.
- A equipe de som local chega ao palco e à mesa de som, não aos camarins.
- O catering chega à cozinha e ao backstage, não ao palco.
- A equipe do artista chega aos camarins e ao palco, não à sala técnica.
No PASE essa tabela é a matriz de permissões: cada ponto de controle confere se o tipo da pessoa lida pode entrar naquela área, e se não pode a tela mostra NÃO AUTORIZADO. O PASE valida online, contra o banco de dados, em cada leitura. As áreas onde a equipe entra e sai o dia todo devem ser configuradas como pontos com reentrada, que conferem a permissão toda vez sem consumir o passe. Cada área controlada é um ponto de controle: o Base inclui 1, o Pro até 4 e o Enterprise ilimitados.
Para camarins e áreas de artistas, a CISA também sugere "assigning a security staff member" (designar alguém da segurança) na porta "to ensure that only approved persons are admitted" (para garantir que só entrem pessoas aprovadas).
Passo 4: horários de montagem e desmontagem, por escrito
Montagem, show e desmontagem são três momentos com pessoas diferentes. A CISA recomenda que as credenciais temporárias de prestadores de serviço "indicate a time frame for work to be performed" (indiquem o período em que o trabalho será feito), que esses prestadores "sign in and out" (registrem entrada e saída) numa planilha a cada dia, e que as entregas sejam "scheduled and approved ahead of time" (agendadas e aprovadas com antecedência), com os nomes dos motoristas informados antes, feitas em áreas designadas como docas de carga, e com os motoristas apresentando "a government-issued photo ID" (um documento oficial com foto).
Na prática, isso significa:
- Um cronograma por fornecedor (dia, faixa horária, porta de entrada, responsável e telefone) nas mãos do chefe da porta de serviço, em espanhol, porque é o idioma em que trabalham os seus fornecedores e o pessoal de porta local.
- Uma marca visível por faixa horária. O PASE imprime crachás em vários tamanhos; se a faixa precisa ser lida de longe, acrescente uma cor ou um adesivo por dia e horário, e entregue a legenda ao chefe da porta.
- Um tipo separado para montagem e desmontagem quando essas pessoas não precisam estar lá durante o show. No dia do show, esse tipo não tem permissão nos pontos de controle do público.
Passo 5: artistas, uma lista nominal e um documento
Os artistas são o caso especial. A CISA diz que artistas, jogadores e árbitros uniformizados "should be the only persons not required to wear a credential" (devem ser as únicas pessoas dispensadas de usar credencial) na sua área designada, mas precisam usar uma "to enter other controlled areas" (para entrar em outras áreas controladas). Recomenda uma lista com nomes e funções, entrada por "a controlled, non-public access point" (um acesso controlado e não público) e identificação "by a valid government-issued photo ID and confirmed by the roster" (com documento oficial com foto válido e conferida com a lista).
Peça a lista ao empresário do artista com bastante antecedência, faça a inscrição pelo link do tipo artista e combine quantos convidados cada artista tem. O mesmo guia recomenda definir "a maximum number of guest and/or family credentials" (um número máximo de credenciais para convidados e familiares) para VIPs e integrantes de equipes, "with exceptions granted in special circumstances" (com exceções concedidas em circunstâncias especiais).
Passo 6: inclusões de última hora e fechamento
Sempre aparece alguém que não estava na lista: o ajudante do técnico de som, um garçom substituto. Defina antes quem pode autorizar uma inclusão e com quais dados mínimos. O operador não decide: liga para o chefe daquele time e, se for confirmado, inscreve a pessoa manualmente na porta com o tipo certo, para que a entrada fique registrada como a de todo mundo.
No fim, a CISA recomenda recolher as credenciais temporárias ou desenhá-las para vencer, conferir as devolvidas para descobrir o que falta e destruir ou desativar as que já não valem. Também recomenda desenhar as credenciais para que sejam "substantially different" (substancialmente diferentes) das de eventos anteriores, então mude o desenho e as cores do crachá de uma edição para a outra. Para os operadores da porta de serviço, de preferência separados da equipe da porta do público, a SOMOS DER tem o LABURO, a sua plataforma de equipe para eventos.
O público é conferido uma vez. Quem trabalha no evento é conferido o dia todo. Por isso o credenciamento dessas pessoas tem que ser mais organizado, não menos.
Perguntas frequentes
A equipe e os fornecedores devem se inscrever como qualquer participante?
Sim, mas pelo seu próprio link. Se a equipe se inscreve no mesmo formulário que o público, qualquer um pode escolher a categoria de equipe e entrar em lugares onde não deveria. Com um link de inscrição por tipo, quem entra pelo link da equipe fica registrado como equipe, e o link vai só para o responsável de cada time.
A minha equipe do Brasil pode se inscrever em português?
Não. A página de inscrição e o e-mail do QR do PASE existem em espanhol e em inglês. Eles seguem o idioma do navegador, e acrescentar ?lang=en ao link força o inglês. Para quem não lê espanhol, mande o link em inglês.
O que faço quando um fornecedor local aparece com um ajudante que não estava na lista?
Quem autoriza é o responsável daquele fornecedor, não o operador da porta. Defina antes quem pode pedir uma inclusão de última hora e com quais dados mínimos, como nome completo e número de documento. Com isso, o operador inscreve a pessoa manualmente na porta, atribui o tipo certo e a entrada fica registrada como a de todo mundo.
Os artistas precisam usar credencial?
No palco não, mas para chegar lá sim. O guia de credenciamento da CISA diz que os artistas podem ser as únicas pessoas dispensadas de usar credencial na sua área designada, mas que precisam usar uma para entrar em outras áreas controladas, e que devem ser conferidos com uma lista nominal e um documento oficial com foto.
Credencie quem trabalha no seu evento com o PASE
Um link de inscrição por tipo, matriz de permissões por área, impressão de crachás e registro de cada entrada, com inscrição em espanhol e em inglês. Orçamento por evento: Base a partir de USD 600, Pro a partir de USD 1.500, Enterprise sob consulta.
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