Imprensa
Como credenciar a imprensa num evento na Argentina: solicitações, validação e áreas de imprensa
O credenciamento de imprensa tem duas etapas separadas: primeiro uma solicitação é feita e aprovada, depois o jornalista se inscreve. O jornalista preenche uma solicitação com o seu veículo e o plano de cobertura, o seu responsável de imprensa confere e responde a todas as solicitações, e só as pessoas aprovadas recebem um link de inscrição reservado para a imprensa, que dá a elas o QR code e as permissões da sua área. Cotas, critérios e áreas são definidos antes de abrir o formulário. Este guia cobre esse processo para qualquer evento na Argentina, de uma final esportiva a um congresso ou festival, quando a marca ou a agência que o organiza está no Brasil e precisa lidar com veículos argentinos e internacionais.
Por que a imprensa não pode passar pela inscrição geral
O erro mais comum é tratar a imprensa como mais um participante, com uma caixinha que diz "sou jornalista". Qualquer um marca essa caixinha: quem tem um blog, uma conta com muitos seguidores, quem quer um ingresso de graça ou um lugar perto do palco. No dia, a área de imprensa enche de gente que não vai publicar nada, enquanto o fotógrafo de um jornal nacional não encontra espaço.
A solução é que a categoria de imprensa não seja escolhida, e sim concedida. Isso exige uma etapa de aprovação que a inscrição geral não tem. Para uma equipe que organiza a partir de outro país, isso também deixa a decisão nas mãos de quem conhece a imprensa local, normalmente a sua assessoria de imprensa ou o parceiro de comunicação na Argentina, e não de quem está lendo QR na porta.
Passo 1: escreva antes os critérios, as cotas e as áreas
Antes de publicar o formulário de solicitação, três coisas devem estar escritas e combinadas entre a marca, a agência e o responsável de imprensa local:
- Quem se qualifica. Impresso, digital, rádio, TV, agências de notícias, correspondentes estrangeiros, freelancers com pauta encomendada, criadores de conteúdo. Se criadores forem aceitos, dê a eles um processo separado.
- Quantos por veículo. Uma cota fixa, por exemplo um repórter e um fotógrafo, e quem pode aprovar exceções.
- O que podem acessar. Sala de imprensa, fosso de fotógrafos, zona mista ou área de entrevistas, coletiva. Cada uma pode ter regras diferentes para repórteres, fotógrafos e equipes de câmera.
O Public Venue Credentialing Guide, da agência de segurança cibernética e de infraestrutura dos Estados Unidos (CISA), coloca isso como regra geral para qualquer credencial: "develop written access criteria for each controlled area to support the approval or denial process" (definir por escrito os critérios de acesso de cada área controlada para apoiar a aprovação ou a recusa). O mesmo guia recomenda um número máximo de credenciais por grupo, com exceções concedidas só em circunstâncias especiais. Foi escrito pensando em convidados, mas serve para as cotas de imprensa.
Passo 2: um formulário de solicitação, não de inscrição
O formulário de imprensa é uma solicitação. Pode ser um formulário simples no site do evento ou um e-mail com um modelo fixo. O que importa é o que ele pede:
- Nome, e-mail e telefone de cada pessoa.
- Veículo, editoria ou programa, país e função (repórter, fotógrafo, câmera, apresentador).
- Respaldo do veículo: um e-mail institucional ou o contato de um editor.
- Links de coberturas anteriores assinadas pela pessoa.
- O que pretende cobrir e o que precisa (entrevistas, conexão, energia, posição de câmera).
- Os termos do credenciamento, para aceitar: o que permite, o que não permite e que pode ser revogado.
O guia da CISA diz que o formulário de solicitação "should include the recipient's personal information as well as the credential's function, areas of access, timeframe, and terms and conditions" (deve incluir os dados pessoais do solicitante, além da função da credencial, das áreas de acesso, do período e dos termos e condições) e que deve "clearly state the penalties for violations" (deixar claras as penalidades em caso de descumprimento). Inclui a imprensa entre quem deve enviar a solicitação por meio eletrônico antes do evento e recomenda garantir que os credenciados saibam que a credencial "can be revoked at any time" (pode ser revogada a qualquer momento) se os termos forem violados.
Como uma lista de imprensa é uma base de dados pessoais, a Lei 25.326 da Argentina se aplica mesmo que a sua empresa esteja no Brasil. O artigo 4 exige que os dados sejam "adecuados, pertinentes y no excesivos" (adequados, pertinentes e não excessivos) para a finalidade e diz que não podem ser usados "para finalidades distintas o incompatibles" (para finalidades diferentes ou incompatíveis). O artigo 6 exige informar às pessoas para que servem os dados e quem é o responsável por eles. Peça só o que precisa para validar a solicitação e não reaproveite a lista para uma newsletter sem consentimento. Mais em dados dos participantes na Argentina.
Passo 3: valide o veículo e responda a todos
Com as solicitações em mãos, o responsável de imprensa revisa uma por uma: o veículo existe e publica, a pessoa assina matérias ali ou um editor responde por ela, a solicitação cabe na cota. Para freelancers, existe uma pauta encomendada por uma publicação específica. Para veículos estrangeiros, valem as mesmas verificações; um correspondente internacional costuma ser fácil de checar pelas matérias assinadas.
Depois, responda a todas as solicitações, aprovadas ou não. A CISA recomenda avisar cada solicitante do resultado e acrescenta que "a formal justification for disapproval should be provided as well" (também deve ser dada uma justificativa formal para a recusa). Um jornalista que nunca recebeu resposta e descobre na porta vai embora com uma história ruim para contar.
Passo 4: o link de imprensa vai só para as solicitações aprovadas
É aqui que entra o PASE. Cada tipo de participante tem o seu próprio link de inscrição, e o link de imprensa é enviado só aos jornalistas aprovados, no e-mail de confirmação. Quem se inscreve por ele fica registrado como imprensa, sem poder escolher outra coisa, e recebe por e-mail um QR code único e o crachá em PDF. Se a pessoa digitar errado um domínio de e-mail comum, o formulário avisa antes de terminar, e se ela perder o e-mail pode recuperar o passe na página de inscrição.
Para a imprensa internacional, a página de inscrição e o e-mail do QR funcionam em espanhol e em inglês: seguem o idioma do navegador, e acrescentar ?lang=en ao link força o inglês. Não existe versão em português, então para jornalistas brasileiros que não leem espanhol mande o link em inglês.
Não publique o link de imprensa nem o mande para uma lista de e-mails. Envie pessoa por pessoa e, antes do evento, compare a lista de inscritos como imprensa com a lista de aprovados, caso alguém tenha encaminhado o link. Se quiser separar repórteres de fotógrafos, porque o fosso é só para fotógrafos, use dois tipos de participante, cada um com o seu link.
Passo 5: no dia, um balcão de imprensa e áreas controladas
Dê à imprensa um balcão ou uma entrada própria, com alguém da equipe de imprensa ao lado do operador do leitor. Os jornalistas precisam saber onde fica a sala de imprensa, a que horas começa a coletiva e a quem pedir entrevistas; quem está lendo QR não sabe responder isso.
O PASE valida online: na porta, cada leitura responde na hora válido, duplicado ou não autorizado. Na matriz de permissões você marca qual tipo de participante pode entrar em qual área, então quem tem passe geral e tenta entrar na sala de imprensa recebe não autorizado. Configure as áreas internas, como a sala de imprensa ou a zona de entrevistas, com reentrada, porque os jornalistas entram e saem o dia todo. Cada área controlada é um ponto de controle: o Base inclui 1, o Pro até 4 e o Enterprise ilimitados.
Se a imprensa precisa ser identificada de longe, imprima os crachás no balcão. A CISA recomenda credenciais "readily visible" (bem visíveis) e políticas "that prohibit the sharing of images of credentials on social media" (que proíbam compartilhar imagens das credenciais nas redes sociais). Coloque isso nos termos: é a primeira coisa que um fotógrafo feliz faz.
Passo 6: quem chega sem credencial e o relatório de imprensa
Sempre chega alguém sem credenciamento. O operador não decide: encaminha a pessoa ao responsável de imprensa. Se os critérios escritos permitem e o veículo pode ser checado na hora, o responsável de imprensa faz a inscrição manual no PASE como imprensa. Se não, a pessoa entra como público geral, se o evento permitir, ou não entra. A resposta vem dos critérios, não de quem insiste mais.
Depois do evento, o relatório do PASE separa a presença por tipo de participante, então você sabe quantos jornalistas aprovados vieram de fato. Cruze isso com a cobertura que recebeu ou encontrou: é o número que o seu cliente ou a sua matriz vai pedir, e é o que define as cotas do ano que vem.
Imprensa não é uma caixinha que a pessoa marca. É uma categoria que você aprova, e o link de inscrição chega depois da aprovação, nunca antes.
Perguntas frequentes
Como confirmo que um jornalista trabalha mesmo para um veículo?
Peça que a solicitação venha do domínio de e-mail do veículo ou com o respaldo de um editor, além de links de matérias publicadas assinadas pela pessoa. Para freelancers, pergunte qual publicação encomendou a cobertura. Confira antes de aprovar, nunca na porta.
Quantas credenciais cada veículo deve receber?
O que o organizador decidir com base no tamanho da área de imprensa e no interesse do evento, por escrito no formulário de solicitação. Uma forma comum é uma cota fixa por veículo, por exemplo um repórter e um fotógrafo, com exceções aprovadas só pelo responsável de imprensa.
Por que um link de inscrição separado para a imprensa?
Para que ninguém atribua a categoria a si mesmo. No PASE cada tipo de participante tem o seu link: quem se inscreve pelo link de imprensa fica registrado como imprensa, com as permissões de imprensa, e o link geral não dá acesso às áreas de imprensa. O link de imprensa vai só para as solicitações aprovadas.
O formulário de inscrição existe em português?
Não. A página de inscrição e o e-mail do QR existem em espanhol e em inglês: seguem o idioma do navegador, e acrescentar ?lang=en ao link força o inglês. Para jornalistas que não leem espanhol, mande o link em inglês.
O que faço com um jornalista que aparece sem credenciamento?
Encaminhe ao responsável de imprensa em vez de deixar o operador da porta decidir. Se os seus critérios escritos permitem e o veículo pode ser checado na hora, faça a inscrição manual como imprensa; se não, a pessoa entra como público geral ou não entra, como foi definido antes.
Credencie a imprensa do seu evento com o PASE
Link de inscrição só para a imprensa aprovada, QR e crachá por e-mail, áreas controladas e relatório por tipo de participante, com inscrição em espanhol e em inglês. Orçamento por evento: Base a partir de USD 600, Pro a partir de USD 1.500, Enterprise sob consulta.
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