Guia prático
Como controlar a entrada de uma assembleia ou eleição com lista fechada de votantes na Argentina
Para controlar a entrada de uma assembleia ou de uma eleição com lista fechada de votantes (na Argentina, o padrón), a regra é uma só: entra quem está na lista, e tudo o que se decide na porta precisa estar decidido antes. Monta-se assim: um QR code por sócio, emitido só para quem está na lista; um tipo de acesso separado para procuradores; uma mesa de exceções para quem não aparece; e uma contagem ao vivo de quantos entraram. Essa contagem é um dado para a mesa da assembleia, não é o quórum: o quórum é definido pela lei ou pelo estatuto, e nem sempre se conta por pessoas.
O que muda quando há uma lista fechada
Na maioria dos eventos a lista de convidados é flexível: se alguém não está, dá para incluir. Numa assembleia de sócios ou na eleição de diretoria de um clube, de um colegio profesional (o equivalente argentino a um conselho de classe) ou de um sindicato, não. O padrón é fechado, é aprovado por um órgão da instituição (a diretoria, a junta eleitoral) e a porta não tem autoridade para mudá-lo. Se o operador deixa passar alguém que não está na lista, depois alguém pode impugnar a assembleia.
Por isso a porta de uma assembleia é desenhada ao contrário da de uma festa. Primeiro se fecha a lista, depois se emitem os ingressos, e no dia o operador só verifica. Tudo o que for decisão (mensalidade em dia, procurações, desligamentos) vai para uma mesa à parte, com alguém da instituição e o padrón oficial na mão.
Se você é uma agência ou consultoria do Brasil que organiza a assembleia de uma empresa ou entidade com sede na Argentina, combine esse desenho com o jurídico do cliente antes de mandar o primeiro link.
Passo 1: um ingresso por sócio, e só para quem está na lista
A lista oficial é da instituição, não do sistema. O método mais simples é a própria instituição enviar o link de inscrição só para os sócios do padrón, pelo seu e-mail ou canal oficial, e o formulário pedir o documento ou o número de sócio. Cada pessoa que se inscreve recebe por e-mail o seu QR code e a credencial em PDF. A página de inscrição e o e-mail existem em espanhol e em inglês (com ?lang=en), não em português: se há sócios brasileiros, mande o link em inglês.
Antes do dia, cruze. Compare a lista de inscritos do painel do PASE com o padrón oficial. Quem se inscreveu sem estar na lista não se resolve na calçada: resolve-se naquela semana, falando com a pessoa e com quem aprovou o padrón. Esse cruzamento é método, não uma função automática: o PASE não conhece a lista da sua instituição, conhece quem se inscreveu.
Atenção: se o link circula num grupo de WhatsApp, qualquer pessoa pode se inscrever. Por isso o cruzamento não é opcional.
Passo 2: procuradores, com tipo próprio e mesa própria
Em muitas assembleias é possível votar por procuração. Numa sociedade anônima argentina, a Lei Geral de Sociedades 19.550 (artigo 239) permite que os acionistas sejam representados, mas exclui como mandatários os diretores, os síndicos, os integrantes do conselho de vigilância, os gerentes e demais empregados da sociedade, e pede um instrumento privado com firma reconhecida, salvo disposição diferente do estatuto. Num clube ou num colegio profesional, o estatuto define se há procurações e quantas cada pessoa pode levar.
Na porta, isso vira duas coisas. Primeiro, o procurador se inscreve pelo seu próprio link, como tipo "procurador": ninguém se atribui essa categoria sozinho, e o relatório o conta à parte. Segundo, a procuração não é validada pelo PASE nem pelo operador: quem valida é a mesa da instituição, que olha o documento e o guarda. O QR code diz que a pessoa está credenciada como procurador; se a procuração é válida, quem diz é a mesa.
Passo 3: quem não está na lista vai para a mesa, não para a discussão
Sempre chega alguém que não aparece: um sócio que nunca se inscreveu, outro que se inscreveu com o e-mail errado, um que jura que pagou a mensalidade. Para a porta há três casos, e convém que o operador os tenha por escrito:
- Tem QR code e está na lista: a tela diz VÁLIDO e a pessoa entra. Se esse QR code já foi usado, diz DUPLICADO. E se dois leitores escaneiam o mesmo código ao mesmo tempo em portas diferentes, um entra e o outro sai DUPLICADO.
- Está na lista mas não tem o QR code: "Recuperar meu ingresso" reenvia o QR code para o e-mail com que se inscreveu, e na porta o operador pode buscar a pessoa pelo nome. Se nunca se inscreveu, vai para a mesa, que confere no padrón oficial e, se for o caso, faz a inscrição manual pelo painel na hora.
- Não está na lista: vai para a mesa. A resposta da porta é não até a mesa dizer outra coisa, e a mesa decide com o padrón aprovado, não com a memória de ninguém.
A mesa fica ao lado, para que a fila não pare por um caso. É o mesmo esquema da inscrição na porta sem cadastro prévio, com uma diferença: aqui o critério não é do organizador, é do padrón.
Passo 4: quantos entraram não é o quórum
Esta é a confusão mais cara. O relatório ao vivo do PASE mostra quantas pessoas entraram, por tipo (sócios, procuradores, fiscais, imprensa), por ponto de controle (porta) e por hora. Serve à mesa para ver em que ritmo as pessoas chegam. Mas não é o quórum, por dois motivos.
O primeiro: o quórum nem sempre se conta por cabeças. Numa sociedade anônima, o artigo 243 da Lei 19.550 exige, na primeira convocação, a presença de acionistas que representem a maioria das ações com direito a voto, e o artigo 244 aumenta esse piso para a assembleia extraordinária. Dez pessoas podem representar mais votos do que cem. Já numa mutual (associação mútua) o quórum é por associados: o guia do Governo nacional sobre a documentação das mutuais o descreve como a metade mais um dos associados com direito a participar e, se não for alcançado, a assembleia pode funcionar 30 minutos depois com os presentes, com um mínimo ligado ao número de membros dos órgãos diretivo e de fiscalização. Cada instituição tem a sua regra, e quem decide é o estatuto.
O segundo: o registro legal de presença é outro. A mesma Lei 19.550 (artigo 238) diz que quem comparece assina o livro de presença, com domicílio, documento e quantidade de votos; e o guia das mutuais pede apresentar depois a cópia do Livro de Registro de Presença na Assembleia. O PASE não substitui esse livro, não faz a votação e não valida o quórum. O que ele faz é que a fila para assinar o livro seja de gente já verificada, e que a mesa tenha um número confiável de quantos passaram pela porta.
Um detalhe: o PASE conta entradas, não saídas. Se numa assembleia longa você precisa saber quantos continuam na sala na hora de votar, quem resolve é a contagem da mesa, não o leitor da entrada.
Passo 5: eleições de um dia inteiro
Numa eleição de diretoria de um clube ou de um colegio, às vezes o problema não é a assembleia, é que o padrón inteiro vota ao longo do dia. Se o local é pequeno, convém escalonar a chegada: avise na convocação faixas horárias sugeridas por grupo de sócios e reforce a porta nos horários de maior movimento. Um ponto de controle por entrada já te dá a curva de chegada por hora para ajustar a equipe durante o dia.
E como os dados do padrón são dados pessoais, peça o mínimo e diga para quê. A lei argentina de proteção de dados está explicada na nota sobre dados dos participantes e a Lei 25.326, e o que perguntar no formulário está em o que pedir na inscrição do evento.
A porta verifica, a mesa decide e o estatuto conta. Se cada um faz só o seu, a assembleia não é impugnada pela entrada.
Perguntas frequentes
O PASE serve para votar na assembleia?
Não. O PASE controla quem entra e conta quantos entraram, por tipo, por ponto de controle e por hora. A votação, a contagem de votos e a validação do quórum são feitas pela mesa da assembleia, de acordo com a lei e o estatuto da instituição.
Posso carregar a lista de sócios no PASE?
A lista oficial é da instituição. O método é enviar o link de inscrição só para os sócios da lista, pedir documento ou número de sócio e, antes do dia, cruzar os inscritos do painel com a lista aprovada. As diferenças se resolvem antes, não na porta.
Como se credencia um procurador?
Com um link de inscrição próprio, como tipo procurador, para que seja contado à parte e ninguém se atribua essa categoria sozinho. A procuração em si é conferida e guardada pela mesa da instituição: o QR code credencia a pessoa, não valida o documento.
O número de entradas do PASE é o quórum?
Não necessariamente. O PASE conta pessoas que passaram pela porta. Numa sociedade anônima o quórum se mede por ações com direito a voto, e numa mutual por associados com direito a participar. O dado de entradas ajuda a mesa, mas quem determina o quórum é ela, com o livro de presença.
A inscrição e os relatórios existem em português?
Não. A inscrição e o e-mail com o QR code existem em espanhol e em inglês; para sócios brasileiros, use o link em inglês. Os relatórios saem em espanhol.
Organize a entrada da sua assembleia com o PASE
Um QR code único por participante, válido, duplicado ou não autorizado na hora, antidupla entrada entre portas e relatório ao vivo por ponto de acesso e por hora, com inscrição em espanhol e em inglês. Orçamento por evento: Base a partir de USD 600, Pro a partir de USD 1.500, Enterprise sob consulta.
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